sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ESCRACHO

Não é amor Não te sintas É tão insana Impulsiva Essa cobiça intensa de consumir Não-amor É fome mesma de ti Não é romance Querer Te pegar Te morder Mastigar Devorar Não é amor Combustão Mais humana E sacana Um viril Digerir Sorver-te inteira a essência Sorvete de desejar É tesão Alimento É querência Me dá (Carlos Dinucci)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Contraste

Eu tenho o Sol
Deslizando
[Sobre a página do dia
E a memória
(Canção da noite)
Vibrando as cordas
No tangível interior

Dois olhos repousando
A imagem do infinito sobre mim

Mas noutra parte do globo
Em Bangcoc
O desespero explode
Feito grito de mulher

(Carlos Dinucci)

segunda-feira, 30 de março de 2015

CONDIÇÃO

Um dia,
Depois de muito respirar o mofo,
Subi à porta da eternidade.

Um anjo acorreu fechar:

— Ninguém deve transpassá-la,
Senão à custa dos próprios passos.

(Carlos Dinucci)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poema Inconforme


Cada silêncio, presente,
Sepulta a doída esperança.
Derrama um bálsamo em palavras...
Pouco falas?
Muito encantas!

Teus dizeres,
Feito versos,
Brancas pétalas de açúcar,
Pacificam todo o tempo
Suportando a ausência crua.

Vem, menina, arredia!
Vem dizer pra sempre não;
Só não fiques tão distante
Com tua voz e a face nua.

Face de anjo ou rósea face,
(Não da cor,
Face de flor)
Cada pétala tão fina,
Onde cai, germina amor.

Não te acanhes se te digo
Do que sinto, sem temor.
Não é nunca culpa tua
Ter perfume de mulher
Em teu corpo de ternura.

(Júnior Dinucci)


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sentimental

Se você se derrama feita fêmea,
Seu cheiro pelo quarto despetala.
Atento, fico então a adorá-la,
Em ritos de saliva e sons confusos.

As mãos entrelaçadas se afastam
E logo se procuram agressivas.
Você não quer jamais ser subjugada,
Mas cede quando lhe toco a ferida.

Então a seiva escorre bem do âmago
E sinto, penetrando-a, seu fluir.
Você ocupa mais do que uma cama...
Minh’alma, o quarto, o mundo, o infinito.

Carlos Dinucci

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Bandeira Brasileira

Teu verde, os que te hasteiam amputaram,
Criando um ambiente asfixiado.
Tua áurea cor, venderam como a bênção
Entregue por um prato de guisado.

O teu azul tornaram tão cinzento
Que buscam escondê-lo com cimento.
O branco de tua paz que é fictícia
Verteu-se sangue, é caso de polícia.

A ti faremos novo pavilhão
Que represente com propriedade
A puta gente que teus filhos são:

São cúmplices, mas vivem como vítima;
São tais, que a ignomínia não os invade;
Sua cara é de pau, mas nunca queima.

Júnior Dinucci

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Soneto Presidencial

Sofresses, presidenta, abactus venter
Não viveria este eterno ictus.
Submetes tua gente a infindos sustos,
Pairando todos sob a tecla enter.

Inveja causa tua macrobiótica,
Precedes aos avanços da robótica.
Abusas da quadrantanopsia
Do povo que teu luxo propicia.

Não estranhas nossa taciturnidade;
Disseste, afinal, só inverdade!
Não sei como não tens ulatrofia...

Deixaste o Brasil todo com bruxismo.
Teu rábido falar, teu palhacismo,
É causador de palanestesia.

Júnior Dinucci