domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poema Inconforme


Cada silêncio, presente,
Sepulta a doída esperança.
Derrama um bálsamo em palavras...
Pouco falas?
Muito encantas!

Teus dizeres,
Feito versos,
Brancas pétalas de açúcar,
Pacificam todo o tempo
Suportando a ausência crua.

Vem, menina, arredia!
Vem dizer pra sempre não;
Só não fiques tão distante
Com tua voz e a face nua.

Face de anjo ou rósea face,
(Não da cor,
Face de flor)
Cada pétala tão fina,
Onde cai, germina amor.

Não te acanhes se te digo
Do que sinto, sem temor.
Não é nunca culpa tua
Ter perfume de mulher
Em teu corpo de ternura.

(Júnior Dinucci)


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sentimental

Se você se derrama feita fêmea,
Seu cheiro pelo quarto despetala.
Atento, fico então a adorá-la,
Em ritos de saliva e sons confusos.

As mãos entrelaçadas se afastam
E logo se procuram agressivas.
Você não quer jamais ser subjugada,
Mas cede quando lhe toco a ferida.

Então a seiva escorre bem do âmago
E sinto, penetrando-a, seu fluir.
Você ocupa mais do que uma cama...
Minh’alma, o quarto, o mundo, o infinito.

Carlos Dinucci

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Bandeira Brasileira

Teu verde, os que te hasteiam amputaram,
Criando um ambiente asfixiado.
Tua áurea cor, venderam como a bênção
Entregue por um prato de guisado.

O teu azul tornaram tão cinzento
Que buscam escondê-lo com cimento.
O branco de tua paz que é fictícia
Verteu-se sangue, é caso de polícia.

A ti faremos novo pavilhão
Que represente com propriedade
A puta gente que teus filhos são:

São cúmplices, mas vivem como vítima;
São tais, que a ignomínia não os invade;
Sua cara é de pau, mas nunca queima.

Júnior Dinucci

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Soneto Presidencial

Sofresses, presidenta, abactus venter
Não viveria este eterno ictus.
Submetes tua gente a infindos sustos,
Pairando todos sob a tecla enter.

Inveja causa tua macrobiótica,
Precedes aos avanços da robótica.
Abusas da quadrantanopsia
Do povo que teu luxo propicia.

Não estranhas nossa taciturnidade;
Disseste, afinal, só inverdade!
Não sei como não tens ulatrofia...

Deixaste o Brasil todo com bruxismo.
Teu rábido falar, teu palhacismo,
É causador de palanestesia.

Júnior Dinucci

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Soneto À Chuva

Canto alegre, que sobre nós desliza,
Arrastando, de todos, a saudade,
Abençoe, da noite, a face lisa
Com o cheiro de frescor que nos invade.

Não sei porque aceita visitar
A espécie que não faz por merecer...
Sua graça purifica nosso ar;
Seu toque umedece nosso ser.

Sorrindo, pelo barro em nosso solo,
O riso dos meus lábios não controlo,
Tampouco os versos que de mim se vão.

É que pra derramar algum louvor
À chuva, que nos faz dormir melhor,
Escrevo, demonstrando gratidão.

Júnior Dinucci

Fundamento

Este fim de tarde
visto da sala duma opaca existência;
canção ressoando um sopro latente.
Baila, o ar,
com folhas de Bandeira e palavras num coqueiro.
Meu espírito adormece em mim...

Escondido em tudo, o fundamento:
você.

Júnior Dinucci

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Infância

Às treze horas, futebol!...
Pro forte Sol, campim de terra...
No mei de tudo, alegria...
Brigava hoje; amanhã ria.

Eita, tempim de coisa boa!
Topo de árvore, roda de amigos...
Falavam de tudo até mãe gritar:
“_Minino, v’embora, ou vou te pegar!”

Só tinha o colégio pra aborrecer!
Melhor era a rua, vou mentir pra quê!?
À tarde até era legal ir pra escola...
Pulava o muro só pra jogar bola!

Terreno baldio, playground da gente...
Pista de bicicleta...
_ Pega pó de serra pra gente espalhar!
Se chovia, barro é raça!

Acabou...
Tão rápido passou.
Da feliz simplicidade,
Às duras obrigações.

Contas a pagar.
Mãos a apertar.
Risos a fingir.
Tudo tão aquém de lá.

De bom, a memória
Preservando aqueles dias de verdade,
Em que tudo era verdade...
Até nós. Nós éramos de verdade.

Júnior Dinucci