Shiba era um cão muito valente.
Desde pequeno, porque muito confiado em seu porte e agilidade, vivia a se
desentender com outros cachorros. Não que fosse "só" ruim. Shiba era querido por amigos ainda que, vez ou outra, os afrontasse ou brigasse com eles. Era capaz
de ter algumas amizades.
Uma
vez, muito tempo atrás, Shiba levantou-se contra Pequinês. Pobre Pequinês...
tão miúdo, só fazia latir e correr; em vão. Shiba, mais forte, ágil, de patadas
violentas e dentes afiados, maltratou Pequinês, que jamais se esqueceu da sova.
Mas Shiba e seus amigos, ah, esses se esqueceram, porque quem bate acaba
esquecendo.
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| "Santo Cão" |
Depois,
outra ocasião, Shiba pegou pelo rabo um Bulldog velho. O pobre Bulldog relutou.
Não queria bater de frente com Shiba; sabia de sua fama. Mas Shiba pagava para
entrar numa briga. Bulldog, de idade avançada, baixou a cabeça, pôs o rabo
entre as pernas, mas não adiantou. Shiba avançou e bateu nele assim mesmo.
Porque
sempre saía no “lucro”, Shiba ia se criando até que, aparentemente, ia se dar
mal. Um tal Chow Chow, esperto, dentes fortes, avançou primeiro, antes que
Shiba, e deixou-lhe no peito a marca dos dentes. Mas depois, Shiba pegou-lhe
desprevenido e pagou na mesma moeda: dente por dente. Shiba era mesmo o bicho.
Acontece
que, na vida, ninguém vence o tempo todo. Shiba, depois de tanto morder e tanto
botar pra correr, foi um dia pego. Uma matilha pegou Shiba, mordeu, mordeu,
mordeu até não poder mais. Shiba ficou muito mal. Mal de verdade. Shiba, muito
querido, porque tinha bons amigos, parece que Shiba nunca tinha merecido.
Os
cães, amigos de Shiba, uivaram e uivaram doído. Ora, Shiba era seu amigo. A
matilha que batera em Shiba eram os maus, deveriam mesmo ser sacrificados,
deveriam pagar muito caro, porque, “ora, porque sim!”. “Shiba é um cão muito
bom, um cão de pedigree”, diziam. “Não merecia”. E, assim o combalido Shiba era
feito o primeiro santo do mundo canino.
Júnior Dinucci

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