Observas, aturdido, a face de mil rosas que deixaste.
Lembras risos que lhe davam todos os sóis da noite,
E contas a ti mesmo sensações confusas que sozinhas se explicavam.
Caminhas como quem pisa as águas sagradas do mundo.
Estás no lugar que amas.
Voltaste deliberadamente
Que, se não voltasses deliberadamente,
Voltarias arrastado contra ti
Por aquelas mesmas águas sagradas.
Serias conduzido pelas muitas vagas
Que achavas dormentes no interior,
Mas que sempre se levantam, como se levantaram.
Trouxeram-no ao santo céu do teu afã.
Duvidaste do retorno, sempre natural,
Que ninguém jamais escapa ao final-destino.
Estás agora leve, mais que a brisa leve,
Flutuando acima de teus próprios sonhos infantis;
Ilusões, sonhadas distante da fatalidade.
Embevecido vês que o fim do homem
Não será senão seu próprio destino,
E aceitas, incrédulo, a felicidade maior que tiveste,
De que duvidaste, embora, quando correntes deslizavam pelas penhas
Fazendo-te forte para, somente agora,
Estares apto à graça que recebes assustado.
Júnior Dinucci
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