segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Poema Alheio

A noite sombria habita corpos de homens decompostos pelo presente.

A solidão confabula com os sentimentos diluídos em névoas por entre mares de hipocrisia e desilusão.

Margeamos a vida como seres antipáticos à existência,
Que se desintegra também com essa carne feita de miséria.

O homem não mais existe;
Apenas a falência entrevada no ser anêmico incapaz.

Mulheres caminham sombrias à procura de seus filhos que se perderam já, 
Como folhas caídas pelos caminhos do passado.

A história não alcança a marginalidade da Gente
E passamos duma a outra era como meros expectadores da nossa destruição.

Inválidos ante todo poder que corrompe o sistema...

Animais que caminham sobre suas quatro patas demonstram maior altivez e austeridade que o homo sapiens.

Não há dignidade em nada que nos pertença.

Se se defendem direitos humanos, isso é absurdo.

Nossa condição nos faz menos que vermes que nos roemos uns aos outros nesse diabólico rito canibal.

Não sabemos para onde ir senão para o caos, que construímos com nossas próprias mãos e a largos passos.

Os cães, pelas ruas, caminhando errantes,
Demonstram maior consciência de si do que os que estampam o status quo de ser.

Sepultamos nossa civilização exatamente com o que entendemos civilizado.

Do meio da mata fechada, o selvagem antepassado ergue urros desesperados olhando para onde caminhou.

Não há esperança para nossa demência de ser grande.

O fim nos aguarda próximo, de boca aberta para nos digerir...
E logo vomitar.

Nada suporta o gosto degradante daquilo que nos tornamos.


Júnior Dinucci

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