A
noite sombria habita corpos de homens decompostos pelo presente.
A solidão confabula com os sentimentos diluídos em névoas
por entre mares de hipocrisia e desilusão.
Margeamos
a vida como seres antipáticos à existência,
Que
se desintegra também com essa carne feita de miséria.
O
homem não mais existe;
Apenas
a falência entrevada no ser anêmico incapaz.
Mulheres
caminham sombrias à procura de seus filhos que se perderam já,
Como folhas caídas pelos caminhos do passado.
A
história não alcança a marginalidade da Gente
E
passamos duma a outra era como meros expectadores da nossa destruição.
Inválidos
ante todo poder que corrompe o sistema...
Animais
que caminham sobre suas quatro patas demonstram maior altivez e austeridade que
o homo sapiens.
Não
há dignidade em nada que nos pertença.
Se
se defendem direitos humanos, isso é absurdo.
Nossa condição nos faz menos que vermes que nos roemos
uns aos outros nesse diabólico rito canibal.
Não sabemos para onde ir senão para o caos, que
construímos com nossas próprias mãos e a largos passos.
Os
cães, pelas ruas, caminhando errantes,
Demonstram
maior consciência de si do que os que estampam o status quo de ser.
Sepultamos
nossa civilização exatamente com o que entendemos civilizado.
Do meio da mata fechada, o selvagem antepassado ergue
urros desesperados olhando para onde caminhou.
Não
há esperança para nossa demência de ser grande.
O
fim nos aguarda próximo, de boca aberta para nos digerir...
E
logo vomitar.
Nada suporta o gosto degradante daquilo que nos tornamos.
Júnior Dinucci
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