A santidade ocupa um avião caído.
Entre escombros, imagens de tragédia,
Pedaços de corpos carbonizados,
Habita a santidade.
Ei-la anunciada na voz pungente,
Embargada, da apresentadora de telejornal;
Nas considerações eloquentes dos opositores
Que, até então, só faziam acusar.
A santidade encobre, no meio de todo esse fumo
E palavras reviradas como a terra
De um terreno de uma cidade,
Os pecados do pecador.
Não há, no avião caído,
Espaço para a corrupção,
Para a improbidade...
Não há, nele, espaço para a prevaricação.
Esmagado pelo tempo,
Pelas nuvens,
Pelo acaso (?),
Admite, apenas, o bom, o belo, o verdadeiro.
Há, fora do avião,
Espaço para o razoável?
Há lucidez
Fora do avião?
Caiu,
Como outros tantos caíram,
Mas percebido,
Como outros tantos não.
Ouvimos do meio da caos,
Da queda inesperada,
A voz, como de santo,
Ressoar, expulsa do pleito e da vida.
Não fosse o caos,
Conheceríamos a voz profética,
Cheia de graça,
Hoje exaltada?
A morte torna humanos
Aos vivos, e divinos
Aos mortos...
Não deveria ser assim.
Júnior Dinucci
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