sábado, 17 de janeiro de 2015

Retratos

Cansado de me esgueirar em meio a futilidades,
Passo à clausura do remoto inconcebível.

Eles passam, elas passam...
Evito o olhar vazio
Que seus olhos estão vazios;
Vazios são seus pensamentos por trás da retina,
Habitando a imensidão de uma mente vazia.

Toda essa produção que vejo,
Tudo maquia a chancela da verdade,
Surrupia a essência dos seres,
Inventa animais intocáveis
Que nunca doem,
Nunca erram,
Jamais choram.

No mundo em que moro
Há gente de todo tipo
Homogeneizada pela inverossímil perfeição.

Tanta beleza tanta cansa, fere e marca
Como um câncer crescente
Cuja malignidade avança, deteriorando, do pouco, o que restava humano.

Nas ruas e nos bares não há lamentos
Mas um senão sob cada sorriso brilhante.

Se sofrem, brevemente, doença ou morte,
Tudo é breve.
E logo a máscara de herói se apega à face
Sugando para si o último suspiro definidor de gente.

A vida transmutada em palco
Com tantos atores medíocres...
Desesperados, buscam aplausos.

E os aplausos vêm...
Misturados à inveja e ao desprezo,
Comuns a esta contemporaneidade deficiente

Júnior Dinucci

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